← Recursos Tutorial · Cegid 19 de Abril de 2026 6 min de leitura
Faturas com referências Multibanco no Cegid.
Cobrar por Multibanco só vale a pena quando a liquidação no Cegid é automática. Se alguém tem de ir ao e-banking, copiar o valor e lançar a receção à mão, acabou‑se a vantagem. Este é o fluxo completo — configuração da gateway, emissão, monitor, e o que fazer quando a referência expira.
O Cegid Primavera Evolution integra-se com gateways de pagamentos eletrónicos — Hipay, Lusopay, Multipay — para gerar referências Multibanco diretamente na fatura e reconciliar automaticamente quando o cliente paga. Bem configurado, o processo exige zero intervenção manual entre a emissão e a liquidação. Mal configurado, dá mais trabalho do que o cobrador a pedir transferência bancária.
O fluxo, em cinco passos
1. Configurar o método de pagamento eletrónico.
2. Emitir fatura — referência gera-se automaticamente.
3. Cliente paga (ATM, homebanking, Payshop).
4. Monitor acusa receção.
5. Cegid cria recibo e liquida a fatura, sem intervenção humana.
Pré-requisitos
- Cegid Primavera Evolution com módulo de Faturação ativo.
- App de pagamentos eletrónicos instalada a partir da AppStore Primavera (Hipay, Lusopay ou Multipay — escolha depende de qual tem contrato com a empresa).
- Contrato com gateway ativo. A SIBS (via os parceiros acima) continua a ser o intermediário entre o Cegid e a rede Multibanco.
- Conta bancária destino onde o gateway deposita os valores liquidados (normalmente D+1 ou D+2 após pagamento).
Passo 1 — Configurar o método de pagamento
Em Administrador → Configuração de Pagamentos Eletrónicos, ativam-se os métodos que se quer oferecer. Para cada método:
- Credenciais da gateway (API key, merchant ID, secret) — fornecidas pelo provedor.
- Moeda — EUR para operações nacionais.
- Valor mínimo e máximo — Multibanco tem teto legal de €999 999,99 por referência, mas muitos contratos impõem limites mais baixos.
- Prazo de validade da referência — tipicamente 15 a 30 dias. Referências mais longas são mais cómodas para o cliente mas aumentam a exposição a fraude e tornam a conciliação mais lenta.
- Ambiente — sempre testar primeiro em sandbox/draft antes de ativar em produção. Todos os provedores mencionados disponibilizam ambiente de testes com cartões e referências fictícias.
Passo 2 — Emitir a fatura
No dia-a-dia, o processo é invisível para quem emite. Em Vendas → Faturação → Nova Fatura, preenche-se cliente, artigos e condições, e confirma-se que a condição de pagamento permite pagamento eletrónico. Ao gravar, o Cegid contacta a gateway, obtém a referência Multibanco e imprime-a no rodapé da fatura. O documento enviado ao cliente já inclui a referência pronta a pagar.
Ponto não óbvio: a referência não existe até a fatura ser gravada. Se houver falha de comunicação com a gateway no momento da emissão, a fatura emite-se na mesma mas sem referência. A configuração do comportamento em falha (em parâmetros) decide se a emissão bloqueia, continua sem referência, ou entra em fila para retry. Recomendamos continuar sem referência + alerta — não faz sentido parar a operação comercial por indisponibilidade de uma gateway.
Passo 3 — Monitor de Pagamentos Eletrónicos
O painel central é Bancos → Movimentos Bancários → Monitor de Pagamentos Eletrónicos. Aqui vê-se cada referência em um de quatro estados:
- Pendente — emitida, ainda não paga, dentro do prazo.
- Paga — gateway confirmou o pagamento ao Cegid.
- Expirada — prazo de validade terminou sem pagamento.
- Cancelada — anulada manualmente pelo operador.
Filtros úteis: por data, por cliente, por método. Mapa semanal de referências em pendente a menos de 5 dias do prazo permite intervir antes de expirar — telefonema ou e-mail de lembrete ao cliente.
Passo 4 — Liquidação automática
Quando o gateway notifica o Cegid que uma referência foi paga (webhook em tempo quase-real), o sistema:
- Marca a referência como Paga no monitor.
- Gera automaticamente o recibo associado à fatura original.
- Cria o movimento bancário na conta configurada como destino.
- Atualiza a conta-corrente do cliente.
Nenhum passo exige intervenção humana. Quem gere a tesouraria abre o Cegid e vê a fatura liquidada com o recibo já lá.
Erros operacionais frequentes
- Referência expira antes do cliente pagar. Comum em clientes B2B com circuitos internos de aprovação lentos. Em vez de reemitir a fatura (que muda o número do documento e complica a contabilidade do cliente), emite-se nova referência para a mesma fatura — opção disponível no monitor.
- Cliente paga valor diferente. O Multibanco permite ao cliente digitar um valor próximo ao pretendido. Se paga mais, fica em conta-corrente como saldo credor — trata-se com movimento de ajuste ou nota de crédito. Se paga menos, a fatura fica parcialmente liquidada e precisa de um segundo pagamento ou de gestão manual.
- Pagamento recebido pelo banco mas não refletido no Cegid. Acontece quando o webhook falhou. Em Monitor → Reconciliar manualmente, carrega-se o ficheiro camt.053 do banco e o Cegid reconcilia pelos valores. Auditoria mensal obrigatória.
- Configuração em sandbox esquecida em produção. Caso clássico: testou-se com credenciais de teste, abriu-se o ambiente produtivo, esqueceu-se de trocar as credenciais. Resultado: referências emitidas parecem válidas mas o Multibanco real rejeita-as. Verificação simples: pagar uma fatura de €1 do próprio escritório no primeiro dia após ativar.
Quando faz sentido ativar
Não vale a pena para emissores com menos de 20 faturas por mês — o overhead de configuração e reconciliação não compensa. Acima desse volume, o ROI é normalmente imediato: menos tempo em tesouraria, menos erros de liquidação, reconciliação bancária em minutos em vez de horas. Em empresas com 200+ faturas/mês, é praticamente obrigatório.
Em retalho multi-loja, este circuito entra normalmente como parte de uma integração omnicanal mais ampla — Cegid Primavera no back-office, e-commerce no front, POS nas lojas, com Multibanco em todos os canais e conciliação única para a tesouraria. É o modelo que temos em produção em várias operações da nossa carteira; o serviço Cegid detalha a arquitectura.
A seguir
Se já tem contrato com Hipay, Lusopay ou Multipay mas nunca integrou com o Cegid, o esforço de configuração é de meio dia com quem conhece ambos os lados. Se ainda não tem contrato, o diagnóstico inclui uma recomendação sobre qual gateway faz mais sentido para o vosso volume e perfil de cliente.
Para arrancar ou rever a configuração, um diagnóstico de 30 minutos cobre a análise do vosso circuito de cobrança actual e a lista de ajustes prioritários.
Fontes consultadas: Documentação técnica Cegid Primavera Evolution (módulo Faturação, pagamentos eletrónicos) · Especificações técnicas SIBS para referências Multibanco · Documentação das gateways Hipay, Lusopay e Multipay publicada nos respetivos portais de developers.
